terça-feira, 28 de outubro de 2014

O Parto de Bethânia - Parte 2

E se passaram 40 semanas de gestação...

40 semanas de preparo do corpo e mente para o tão esperado momento e ainda não havia sentido nenhum sintoma de que estava chegando a hora do parto. Nem pródromos, nem cólicas, nem dores nos quadris – nada.


Passei 8 meses de gestação fazendo um cardápio equilibrado, com atividades físicas diárias, como caminhadas, pedaladas, muito nado, yoga pra gestante, sexo (pois muitas mulheres afirmam que é a melhor exercício perineal que existe para estimular o parto patural e, acreditem, dá resultado), além das conversas com a Bethânia, tive uma gestação perfeita, ativa e saudável - exceto no 4º mês de gestação que passei trabalhando com minha sócia pelos trilhos da ferrovia que liga SP ao MS – mês este que merece um relato só dele, pois foi muito tenso nosso mês de Pantanal, fugir de onça, ficar atenta aos jacarés, fazer rali e desencalhar carro várias vezes, dentre outros muitos outros momentos de tensão, e não menos maravilhoso por isso, não é mesmo Mariana?



Depois de muito estudo e conversa, Felipe, Bethânia e eu decidimos fazer o parto em casa. Sim, a decisão da Bethânia é a que pesou mais na escolha, pois o impacto maior em um nascimento quem tem é o bebê e nada mais justo que priorizar a escolha dela, e assim foi, Bethânia decidiu nascer no lugar mais acolhedor e saudável possível: no nosso lar.

E, quem avisar? Quanto menos pessoas souberem melhor! Pois infelizmente vivemos num país que teve um retrocesso na forma de parir e grande parte das pessoas ainda acreditam no mito médico que a cesárea ou parto normal em hospital é a melhor forma e, realmente seria, em uma situação de risco em que a parturiente é hipertensa, ou tem diabetes ou por conta do bebê apresentar sofrimento fetal – caso contrário não! Por isso evitamos contar a grande parte dos amigos e familiares, para evitar um comentário do tipo “e se acontecer alguma coisa?” ou “vai que o cordão enrola no pescoço do bebê”... “vai que falta oxigênio pro cérebro do bebê” (...) Tá, e se acontecer o que? ...até explicar os mitos... enfim, não é o melhor momento do casal se preocupar em convencer e militar pelo parto humanizado diante da família e amigos, é o momento de curtir a gestação e planejar o parto entre a equipe de parto , o casal e bebê, apenas, portanto contamos aos que tínhamos certeza que respeitariam a nossa decisão e nos apoiariam.

<<Ps: Cordão enrolado no pescoço do bebê é outro mito médico, pois os bebês não respiram pelo nariz quando estão na barriga, portanto não tem o que ser sufocado, isso é mais um pretexto pra ganhar tempo e fazer logo uma cesárea, que é mais viável que esperar o desenrolar do trabalho de parto. Quanto a dor da cirurgia numa cesaria no pós parto a gestante que se vire!>>

....enfim, depois de muita conversa com as enfermeiras obstétricas (Parteiras Urbanas – Barbara Deoclécio e Fernanda Rodrigues e Suellen ), trocas de ideias com a doula (Michelle Antunes), com a parteira de tradição (Camila Nogueira) e amigas que passaram por essa situação (Mariana Braçal, Rafaella) , ou estavam passando (Mari Barroso e Alcione) e maridão e acalmei ainda mais o coração.

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